quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Depressão - o segredo que compartilhamos

Depressão é um tema tabu, ainda que seja mais comum entre nós do que desejamos. Mesmo sendo um mal, infelizmente, muito comum, há uma cautela excessiva em se tratar dele e muitas pessoas acabam por mal julgar os deprimidos devido à ignorância sobre a doença.

Pesquisando na rede há uns anos, encontrei esse vídeo do Andrew Solomon (de quem já tratei aqui brevemente num posto anterior) discorrendo acerca do assunto de maneira muito precisa e ponderada. Aquela foi a primeira vez em que senti que alguém me compreendia e pôde expressar tão claramente o que eu estava passando. Recomendo, portanto, que vocês o assistam (há opção de legenda em português) e reflitam sobre a mensagem do autor.

Espero que se encontrem também nela, ou iluminem a percepção de familiares e amigos ao indicá-la.


sábado, 24 de dezembro de 2016

Nossos pais

Acho que já contei aqui essa história: ao me perceber em depressão, precisei procurar a médica da família e pedir que ela convencesse meus pais a me deixar fazer terapia - isso era coisa de gente rica e desocupada. Anos mais tarde, minha própria mãe desenvolveu uma depressão severa e precisou de tratamento psicológico e medicamentoso para superar o quadro. O mundo dá voltas e precisamos nos adaptar às novas realidades que se apresentam, com humildade.

Esse exemplo de minha própria vivência ilustra muito bem o que quero discutir hoje: nossos pais.
Durante muitos anos fui incapaz de perdoar meus pais pela criação que recebi, pelo pouco apoio durante a depressão, pela sua incompreensão diante da minha condição e pelos conselhos equivocados e doloridos que me deram enquanto estava em crise. Era para mim inconcebível que as pessoas que diziam mais me amar não conseguiam enxergar ou buscar formas apropriadas de lidar com meus problemas, negando ou adiando soluções óbvias por mero preconceito ou ignorância. Fato é que minha relação com meus pais jamais foi fácil e que boa parte do que sofri (e sofro) é consequência também de seus equívocos como humanos e pais, perdidos em meio aos conflitos de casal e à criação de filhos às cegas, quando o acesso à informação ainda era muito restrito. Como ser bom pai/mãe sem jamais ter conhecidos famílias amorosas, tendo eles mesmos crescidos com violência, pobreza e desconhecimento?

Após anos de reflexão e terapia, concluí algo extremamente óbvio: nossos pais são pessoas como nós. Lógico, certo? Pois bem! Muitos de nós crescem negando esta simples realidade. Nossos pais amam, se desiludem, sofrem, choram, são traídos, perdem empregos, não são heróis, são apenas pessoas comuns com suas falhas e acertos, e que sua personalidade e suas atitudes são reflexo de uma longa história cheia de altos, baixos, equívocos e poucas certezas. Entender em que circunstâncias meus pais foram criados e que dificuldades enfrentaram - fatos que eles evitaram e ainda evitam dividir comigo, muitas vezes, para me poupar- me possibilitou perceber algo tão lógico e simples. E isso revolucionou minha existência.

Soa bastante dramático, eu sei. Mas como não compreender alguém diante de tamanha empatia? Fica muito mais simples perdoar e não julgar quando nós conhecemos os antecedentes delx. Você entende que alguém rouba para alimentar os filhos, ou mata se em legítima defesa, ou é 'mau' se teve pais 'ruins'. (Uso aqui as aspas, porque acredito que reduzir alguém à dualidade bom x ruim é mesquinho e errado demais.) Então, como não perdoar seus pais por suas falhas?

Bem, hoje procuro ter mais paciência com atitudes maternais que antes me feriam, ou entender que meu pai mudou e é alguém melhor do que foi. Isso me permite também tolerar atitudes dos que não são familiares, perceber que cada um aprende o que pode, dá só o que tem, erra repetidamente, e tem seu próprio ritmo de evolução. Cada um cresce em um tempo próprio, sente e supera as próprias dores (ou não) de modo único. Tolerando e buscando entender os outros, torno-me, também, mais compreensiva comigo mesma. E, acreditem: perdoar-se é um exercício essencial para quem sofre de depressão, uma vez que carrega a culpa de estar mal mesmo sem motivos aparentes, ter tudo e ser amado.

Pergunto-me quantas vezes errei com os outros. Olho para trás e percebo uma sequência quase sem fim de falhas e fraquezas. Como posso, então, esperar que meus pais, companheiros, avós... todos os que amo, estejam imunes a atitudes equivocadas também? Seria muito egocentrismo de minha parte acreditar que eu sou a única que pode errar em um mundo onde habitam bilhões. Entendo que meus pais erraram centenas de vezes por amar demais, e que pais sentem um amor quase egoísta por seus filhos. Se você estivesse em um lugar cheio de gente e este incendiasse, quem você salvaria? Eu, com toda certeza, pensaria nos meus apenas. Depois de salvá-los, aí sim, pensaria em socorrer mais alguém. Nossos pais, portanto, agem cegamente para nos salvar daquilo que nos aflige e se desesperam inúmeras vezes, agindo com ignorância, metendo os pés pelas mãos.

Há uma palestra do Andrew Solomon, autor americano que escreve muito bem sobre depressão, família e amor, onde ele fala sobre o amor e o exercício da paternidade com filhos que têm condições especiais. Especificamente nesse vídeo, ele trata longamente sobre crianças com Síndrome de Down, autismo e nanismo, mas há muitas luzes adequadas para pais de pessoas com depressão ou condições socialmente difíceis. Os casos que ele traz me ajudaram bastante a entender muitas das questões envolvendo família e amor. Deixo aqui, então, o link para vocês (há legendas para vários idiomas). Espero que a partir dessa discussão, compreendam as possíveis falta de apoio, negação e incompreensão de seus pais nos momentos difíceis que encontram. Tenham certeza de que ha muito amor envolvido, mas que amar não nos torna sábios.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Um cachorro preto.

Um relato interessante sobre como um deprimido se sente.
Se você sente-se assim, busque ajuda! Não desista de si mesmo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Ansiedade

Desde que me entendo por gente, meu pai me fala a seguinte frase: "Minha filha, não sofra por antecipação." Durante muitos anos, esse conselho me soava estranho e eu não sabia como agir pra que esse sofrimento antecipado não fizesse parte da minha vida. Na verdade, até hoje não sei bem.
Porém, hoje em dia eu tenho consciência de que sou uma mente ansiosa e agitada. Eu sofro por coisas que ainda não aconteceram, coisas que provavelmente não vão acontecer, e coisas que acontecerão mas que sempre tive sucesso ao enfrentar. Não importa: eu sempre sofro.
Posso dizer que encontro algum alívio a partir do que aprendi sobre mim mesma. Observar meus sentimentos e comportamentos frente a certas situações me faz saber o que evitar ou como me preparar.
Uma das coisas mais difíceis pra mim é ter de socializar com pessoas que mal conheço, ou de quem não gosto ou, pior ainda, que não têm apreço por mim. Para me sentir bem em um ambiente, eu preciso me sentir acolhida e amada e, se isso não existe no lugar para onde me convidam, eu prefiro não ir. Evito, inclusive, reuniões familiares e de colegas de escola, porque não me vejo frequentando lugares e encontrando pessoas simplesmente por convenção social. Ou eu me sinto amada e amando, ou simplesmente, não vou. Eu realmente sofro e fico sem dormir só de pensar que terei que ir à casa da família de meu marido, por exemplo. Sinto que eles me aceitam porque é o jeito, e só de pensar que terei que ir lá, meu sofrimento começa. Felizmente, meu companheiro compreende essa minha 'qualidade' e, principalmente, está ciente de que não sou tão bem-vinda por lá, então ele entende e aceita o fato de eu não querer ir. Dei muita sorte por ter um companheiro tão compreensivo!! Sou muito grata à vida por isso.
Mudei-me de cidade há mais de um ano e ainda não consegui o emprego. Podem culpar a crise, meu despreparo... o que for. Pra mim, o grande vilão foi a ansiedade. Eu literalmente 'buguei' nas entrevistas de emprego e fui mal nas provas, porque estava ansiosa demais. Sou uma excelente profissional e trabalhei por muitos anos em uma mesma empresa, sendo muito reconhecida por lá. Mas chegando aqui eu fiquei assustada demais com toda a mudança... Então decidi passar um tempo trabalhando com outras coisas, de modo autônomo, e estudar bastante para tentar de novo no próximo ano. Sinto-me muito mais segura quando me preparo (por isso os estudos...) e isso controla minha ansiedade um pouco.
Quando meu esposo passa por algum problema pessoal, principalmente familiar, eu perco o sono. Fico desesperada. Passei esse primeiro ano em intenso sofrimento por conta disso. Sua família não aceitava nossa união e isso o atormentou muito. A mim também. Descobri que conversar com ele sobre como nos sentimos, buscando junto soluções e definindo comportamentos, nos uniu e nos deixa muito seguros. Não saber o que ele fará ou dirá me deixa extremamente ansiosa. Então, sempre que ele (ou eu) precisa tomar uma decisão, conversamos sobre o assunto e decidimos o que fazer. Seguramos na mão um do outro e nos fortalecemos assim.
Saí de uma cidade muito pequena, onde cresci, e que conhecia relativamente bem, para uma cidade enorme e perigosa. Várias vezes quis sair para conhecer alguns lugares interessantes (museus, teatros, lojas...), mas me senti tão amedrontada de fazê-lo sozinha, que acabei desistindo. Parece bobo, mas sair só em um lugar tão grande, me deixa apavorada. Não tenho com quem contar aqui se me perder ou se algo acontecer, então fico na dependência do meu companheiro para sair. Todavia, na imensa parte do tempo, ele não está comigo. Portanto, resolvi a questão da seguinte forma: escolhemos dois bairros da cidade que são próximos da nossa casa e têm praticamente tudo que preciso, e fomos lá juntos. Então, sempre que preciso de médico, exames, compras, terapia, ou simplesmente me distrair, vou a eles. Lá eu me sinto segura, uma vez que ele já me mostrou os pontos de referência importantes. Quando preciso ir a um lugar novo, ele me desenha um mapa, caso o sinal da internet não pegue para eu usar o Google Maps, ou se for arriscado ficar com o celular na mão na rua (aqui sempre é...). Aprendi a usar o metrô e algumas linhas de ônibus com ele e agora, me sinto mais confiante. Sempre que preciso ir a um lugar novo, a ansiedade vem.
Portanto, reafirmo aqui a importância da terapia psicológica ou, ao menos, da auto análise, do "conhecer-se a si mesmo". Quando a gente se conhece e entende como prevenir a ansiedade, ou ao menos, controlá-la, fica mais fácil viver bem.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Depressão

Hoje, trago aqui um vídeo interessante sobre depressão. Para mim a informação foi e continua sendo essencial para combater o problema e saber quando procurar ajuda. Espero que ele os ajude!