segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Ansiedade

Desde que me entendo por gente, meu pai me fala a seguinte frase: "Minha filha, não sofra por antecipação." Durante muitos anos, esse conselho me soava estranho e eu não sabia como agir pra que esse sofrimento antecipado não fizesse parte da minha vida. Na verdade, até hoje não sei bem.
Porém, hoje em dia eu tenho consciência de que sou uma mente ansiosa e agitada. Eu sofro por coisas que ainda não aconteceram, coisas que provavelmente não vão acontecer, e coisas que acontecerão mas que sempre tive sucesso ao enfrentar. Não importa: eu sempre sofro.
Posso dizer que encontro algum alívio a partir do que aprendi sobre mim mesma. Observar meus sentimentos e comportamentos frente a certas situações me faz saber o que evitar ou como me preparar.
Uma das coisas mais difíceis pra mim é ter de socializar com pessoas que mal conheço, ou de quem não gosto ou, pior ainda, que não têm apreço por mim. Para me sentir bem em um ambiente, eu preciso me sentir acolhida e amada e, se isso não existe no lugar para onde me convidam, eu prefiro não ir. Evito, inclusive, reuniões familiares e de colegas de escola, porque não me vejo frequentando lugares e encontrando pessoas simplesmente por convenção social. Ou eu me sinto amada e amando, ou simplesmente, não vou. Eu realmente sofro e fico sem dormir só de pensar que terei que ir à casa da família de meu marido, por exemplo. Sinto que eles me aceitam porque é o jeito, e só de pensar que terei que ir lá, meu sofrimento começa. Felizmente, meu companheiro compreende essa minha 'qualidade' e, principalmente, está ciente de que não sou tão bem-vinda por lá, então ele entende e aceita o fato de eu não querer ir. Dei muita sorte por ter um companheiro tão compreensivo!! Sou muito grata à vida por isso.
Mudei-me de cidade há mais de um ano e ainda não consegui o emprego. Podem culpar a crise, meu despreparo... o que for. Pra mim, o grande vilão foi a ansiedade. Eu literalmente 'buguei' nas entrevistas de emprego e fui mal nas provas, porque estava ansiosa demais. Sou uma excelente profissional e trabalhei por muitos anos em uma mesma empresa, sendo muito reconhecida por lá. Mas chegando aqui eu fiquei assustada demais com toda a mudança... Então decidi passar um tempo trabalhando com outras coisas, de modo autônomo, e estudar bastante para tentar de novo no próximo ano. Sinto-me muito mais segura quando me preparo (por isso os estudos...) e isso controla minha ansiedade um pouco.
Quando meu esposo passa por algum problema pessoal, principalmente familiar, eu perco o sono. Fico desesperada. Passei esse primeiro ano em intenso sofrimento por conta disso. Sua família não aceitava nossa união e isso o atormentou muito. A mim também. Descobri que conversar com ele sobre como nos sentimos, buscando junto soluções e definindo comportamentos, nos uniu e nos deixa muito seguros. Não saber o que ele fará ou dirá me deixa extremamente ansiosa. Então, sempre que ele (ou eu) precisa tomar uma decisão, conversamos sobre o assunto e decidimos o que fazer. Seguramos na mão um do outro e nos fortalecemos assim.
Saí de uma cidade muito pequena, onde cresci, e que conhecia relativamente bem, para uma cidade enorme e perigosa. Várias vezes quis sair para conhecer alguns lugares interessantes (museus, teatros, lojas...), mas me senti tão amedrontada de fazê-lo sozinha, que acabei desistindo. Parece bobo, mas sair só em um lugar tão grande, me deixa apavorada. Não tenho com quem contar aqui se me perder ou se algo acontecer, então fico na dependência do meu companheiro para sair. Todavia, na imensa parte do tempo, ele não está comigo. Portanto, resolvi a questão da seguinte forma: escolhemos dois bairros da cidade que são próximos da nossa casa e têm praticamente tudo que preciso, e fomos lá juntos. Então, sempre que preciso de médico, exames, compras, terapia, ou simplesmente me distrair, vou a eles. Lá eu me sinto segura, uma vez que ele já me mostrou os pontos de referência importantes. Quando preciso ir a um lugar novo, ele me desenha um mapa, caso o sinal da internet não pegue para eu usar o Google Maps, ou se for arriscado ficar com o celular na mão na rua (aqui sempre é...). Aprendi a usar o metrô e algumas linhas de ônibus com ele e agora, me sinto mais confiante. Sempre que preciso ir a um lugar novo, a ansiedade vem.
Portanto, reafirmo aqui a importância da terapia psicológica ou, ao menos, da auto análise, do "conhecer-se a si mesmo". Quando a gente se conhece e entende como prevenir a ansiedade, ou ao menos, controlá-la, fica mais fácil viver bem.

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